- Sim, ele era um homem totalmente normal! Acho que foi o trabalho que o deixou louco... - disse uma das vizinhas.
- Louco é apelido! Ele era completamente pirado desdo início. Se a mãe dele não fosse aquela... Prostituta! Talvez ele teria mais chance de ter um futuro. - disse a outra.
Ele tinha 30 anos, 1,80, trabalhava em um banco e só usava ternos. Era um homem solteiro e sozinho. Morava em um apartamento pequeno. Era branco com barba mal feita, cabelos negros e mal tratados, olheiras e sempre fumava um charuto, quando dava. Sua vida podia piorar? Sim, o apartamento ficava perto de um bar, onde sempre ia nos finais de semana e arrumava parceiras de cama.
Naquele sexta que chegou cansado depois do trabalho percebeu algo estranho no apartamento. Como se estivesse... destorcido. Não apenas isso, mas havia um barulho parecido como a de uma panela de pressão fazia. Teve uma repentina tremedeira. E, de repente, tudo cessou quando a campainha da porta tocou. Ele viu na brecha da porta a luz acesa do corredor. Abriu a porta e, tudo que havia ali, era um cachorro. Um filhote de cachorro, pequeno mesmo, em uma cesta enrolado com cobertores. Ele pegou a cesta e olhou pelo corredor. As luzes se apagaram. Não havia ninguém ali.
Ele trouxe a cesta pra dentro de casa e achou um bilhete enquanto tirava o cachorro de dentro. ''Ele não valorizava a vida. Cuide dele.'' Não sabia o que isto significava, e nem queria saber. Passou os dedos pelo pelo marrom do cachorro e... por um momento sentiu, um olhar frio do cachorrinho. Algo assim.
O tempo foi se passando. O cachorro cresceu e ganhou o nome de Dee Dee. Ele e o dono passeavam juntos e, depois daqueles dois anos com o cão, o homem parecia estar feliz por ter uma vida, por viver. Ele queria mudar... queria construir uma vida melhor e longe de confusão. Mas... é como se vivesse numa ilusão. Quando ele era aquele homem nojento e desconfiável, fez muitas coisas ruins. Mesmo que trabalhasse em um banco, estava devendo mais de quatro mil reais para ele (fora que ganhava salário mínimo). Devia muita grana para alguns amigos que conhecera no poker. Devia para bares, boates e até foi expulso de algumas por arrumar brigas. E essa realidade o atingiu de primeira.
Na semana em que estava resolvendo se mudar com Dee Dee, as contas vieram com números absurdos. Na terça feira daquela mesma semana, foi espancado na rua por os caras do poker. Quarta foi expulso da casa velha. Estava falido. Na quinta morava em um mini hotel, com pouca coisa. E na sexta... perdeu o emprego. Não sabia o que fazer. Viver na ilusão era tão bom, tão aconchegante. Um aconchego que nunca teve. Mas... era tudo culpa do cachorro. É, culpa dele! Ele que gastou muito dinheiro com seu cão. Ele que quis ter uma vida melhor por causa do cão. Ele viveu na ilusão que conseguiria tudo por causa do cão. O cão criou a ilusão, era culpa dele. E... poderia se livrar dele, sim.
Na noite de domingo, seu dono chegou em casa com um longo dia de tentar arrumar emprego. Ele colocou para tocar no seu rádio velho e passava a música ''Pet Sematary''. Ele deu comida ao seu cão, sentou-se na mesa e passou a mão por uma faca que havia comprado naquele dia. Atacou por trás ferindo as costas do cachorro. Ele ganiu de dor e caiu. O homem começou a esfaqueá-lo seguidamente. 5, 10, 15 vezes. O cachorro morreu, deixando uma poça de sangue. O dono levantou-se. Estava feliz, conseguiu que o estresse fosse embora de uma vez. As luzes se apagaram rapidamente...
Um homem loiro de olhos claros, que sua alma era apenas um subúrbio agora, ouviu a campainha tocar de sua mansão enorme. Não havia ninguém, apenas uma cesta que dentro, enrolado em cobertores, havia um cachorro filhote negro. Em um bilhete junto com as cobertas, estava escrito ''Ele não valorizava a vida do seu amigo. Cuide dele.''.
Postado por: Pessoa064
Postado por: Pessoa064
essa ficou sinistra ein parsa? askpsakoaspoasas muito daora =)
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